Planos de expansão de 2012 mantidos mesmo com crise

Com cautela, mas ainda otimistas. Assim estão as empresas brasileiras ouvidas pelo DCI em relação à economia internacional em 2012, que confiam na economia doméstica para manter investimentos, produção e vendas no próximo ano. Este é o caso da maior petroquímica das Américas, a Braskem, que permanece com a perspectiva traçada entre os meses de julho e agosto, mas ressalta que pode haver alterações diante de turbulências.

Para o presidente da Delphi para América do Sul, Gábor Deák, a variação cambial preocupa pela oscilação de preços em certos produtos importados. Entretanto, a empresa não prevê interrupção de investimentos, em torno de R$ 40 milhões ao ano. A Truckvan, de implementos rodoviários, também mantém o aporte de R$ 10 milhões para a abertura de nova fábrica em São Paulo. No setor de construção, o presidente da Eternit, Élio A. Martins, diz que não puxará o freio de mão, já que o mercado de material de construção espera expandir entre 5% e 6% em 2011, mesmo com a crise global. “A indústria da construção civil não tem perdas consideráveis mesmo em períodos de crise”, completa.

Outro ponto que dará fôlego às empresas em 2012 é a redução do Imposto Sobre Produto Industrializado, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). Para os empresários, as modificações do programa Minha Casa, Minha Vida surgem como a grande aposta do setor para o segmento residencial.

No comércio varejista e área de prestação de serviços, a instabilidade externa não é vista com potencial de reflexos negativos no Brasil. O Grupo Ornatos, das franquias Morana, Balonè e Jin Jin Wok, sustenta a expansão de até 15%, assim como a Umbro Brasil, que projeta crescer 10% em 2012.

No meio publicitário, o crescimento da Internet será o grande agente impulsionador entre as gigantes do ramo. De acordo com ABI Research, os gastos globais com publicidade móvel continuarão a registrar crescimento exponencial até 2016, alcançando um volume de US$ 24 bilhões. “O mercado brasileiro ganha com essa projeção, uma vez que o governo federal começa a encarar a Internet como um grande motivador econômico”, explica Juliana Marisa Vivendi, professora convidada da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com a acadêmica, ações de incentivo à fabricação de tablets no País, somadas à grande expectativa de ampliar o acesso à Internet através do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), são os responsáveis pelo boom da publicidade móvel. “Há dados da associação brasileira de publicidade que afirmam que o número de agências especializadas em conteúdo móvel já cresceu 400%. E a tendência é de que esse número triplique em 2012”, diz.

Já os desembolsos feitos pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na área de comércio e serviços ganharam fôlego e devem garantir novo recorde neste ano.