Produção industrial do País tem maior alta em um ano

A produção industrial brasileira cresceu 1,3% em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o resultado mais elevado desde fevereiro de 2011.

Na comparação com fevereiro de 2011, a produção da indústria caiu 3,9%, a sexta taxa negativa consecutiva nesta comparação, e a mais intensa desde setembro de 2009, quando a produção havia recuado 7,6%.

O governo anuncia nesta terça-feira, 3, mais um pacote de medidas para estimular a indústria brasileira que passa por uma crise de competitividade em função da forte concorrência internacional e da taxa de câmbio valorizada.

A recuperação da indústria extrativa e da produção de caminhões e autopeças ajudaram a puxar o avanço da produção industrial brasileira em fevereiro. A produção de veículos automotores saiu de um recuo de 31,2% em janeiro para uma alta de 13,1% em fevereiro. Já as indústrias extrativas passaram de uma queda de 8,3% em janeiro para uma alta de 9,3% em fevereiro.

“Não por acaso foram os dois setores que explicaram a queda na produção no mês passado. O que permanece negativo em fevereiro é o setor de automóveis, afetados pelos estoques mais altos, com as empresas ainda tentando fazer ajustes”, explicou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

O aumento na produção de veículos automotores, que inclui o setor de autopeças, também beneficiado pela retomada na produção de caminhões, representou o maior impacto positivo na produção da indústria nacional do mês. Já o setor extrativo teve a segunda maior contribuição positiva.

“Nesse mês há uma devolução daqueles fatores pontuais que afetaram a produção em janeiro. Há algum tipo de normalização. Mas, quando você observa os últimos meses, há um quadro de estabilidade na produção. Houve uma queda muito grande em janeiro, e uma recuperação em fevereiro. Mas as taxas meio que se complementam”,

No acumulado em 12 meses, a taxa de -1,0% de fevereiro prosseguiu com a trajetória descendente iniciada em outubro de 2010, quando o indicador havia acumulado uma alta de 11,8%. Em fevereiro, a taxa para o acumulado em 12 meses teve a queda mais intensa desde fevereiro de 2010 (-2,6%).

Bens

A produção de bens intermediários subiu 2,3% em fevereiro ante janeiro. Na comparação com fevereiro de 2011, houve alta de 0,4%. No ano, os bens intermediários ainda acumulam queda de 1,1% e, em 12 meses, há um recuo de 0,3%.

Os bens de consumo duráveis recuaram 4,3% em fevereiro ante janeiro. Na comparação com fevereiro de 2011, a queda foi de 22,1%. No ano, o recuo é de 15,4% e, em 12 meses, de -6,1%. Os bens de consumo semi e não duráveis subiram 1,1% ante janeiro e 0,5% em relação a fevereiro de 2011. No ano, a alta foi de 1,2% e, em 12 meses, houve queda de 0,5%.

Já os bens de capital, com a alta de 5,7% ante janeiro, acumulam queda de 14,6% no ano e perdem 1,0% em 12 meses. Houve queda de 16,0% na produção ante fevereiro de 2011.

Automóveis

Os altos níveis de estoques de automóveis levaram as montadoras a novas paralisações, o que puxou a queda de 4,3% na produção de bens duráveis, na passagem de janeiro para fevereiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“No que se refere aos automóveis, há claramente um comportamento negativo nos últimos meses. O que se observa ainda é um nível de estoque acima do seu padrão usual”, contou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

Em 2012, a produção de automóveis acumula uma queda de 26,6%. No mesmo período, a fabricação de bens duráveis caiu 15,4%.

“As plantas industriais ainda estavam realizando paralisações de alguns dias para tentar normalizar seus estoques. Quando se compara o estoque de fevereiro de 2012 com fevereiro de 2011, há ainda aumento de 11,3%. Então, mesmo que tenha havido uma redução, ainda está em patamar alto”, afirmou Macedo.

Outros itens que afetaram o resultado de bens duráveis foram os telefones celulares e as motocicletas. A queda na fabricação de celulares acumulada em janeiro e fevereiro foi de 17,5%, explicada por menores exportações e a maior penetração de produtos importados no País.

Já o recuo na produção de outros equipamentos de transportes, que inclui as motocicletas, foi de 5,8% em 2012.

“As motocicletas também tiveram comportamento negativo, com alguns tipos de paralisação na produção de motos para férias coletivas em fevereiro”, contou o gerente do IBGE.