Queda da taxa de juros deve impulsionar investimento no exterior

Acostumados a altas taxas de retornos com os investimentos no mercado doméstico, tanto na renda fixa quanto na variável, os investidores institucionais devem começar a se preparar para um cenário de rentabilidade mais baixa nos próximos anos. Com a perspectiva de queda da taxa básica de juros e da limitação de ativos disponíveis para aplicação no Brasil, os investidores devem começar a olhar mais para a alocação em ativos no mercado externo.

Além da diversificação do risco, as alocações no exterior trazem uma melhora da eficiência da carteira de investimentos, otimizando a relação de risco e retorno. É o que aponta o estudo da gestora BlackRock, liderado por Cindy Shimoide, responsável pela equipe Latin America and Iberia Solutions da BlackRock, que desenvolve soluções de investimentos a portfólios globais sob a ótica do investidor da América Latina.

Com a maior taxa de juros real do mundo, o Brasil ainda é um dos mercados mais atrativos em termos de renda fixa, com a Selic a 11,50% ao ano, enquanto as taxas de juros reais nos mercados externos estão muito baixas e até negativas, no caso dos países desenvolvidos. “Os investidores só começarão a olhar para as aplicações no exterior à medida que a taxa de juros for caindo”, diz Cindy.

Já na renda variável, o investidor brasileiro vem assistindo desde 2004 um boom no mercado de capitais no Brasil, com a retomada das Ofertas Públicas Iniciais na bolsa (IPOs, na sigla em inglês). Considerando os retornos em moeda local no período de dezembro de 1994 a agosto de 2011, o Ibovespa apresentou a maior valorização de 1.198%, acima do apresentado pelos mercados emergentes, medido pelo MSCI Emerging Markets, que foi de 251%, e pelos mercados desenvolvidos excluindo os Estados Unidos que foi de 84%.

Parte dessa alta, segundo Cindy, foi impulsionada pela valorização do real. Olhando os retornos dos demais benchmarks em reais, o retorno dos mercados emergentes foi de 803%. Só a bolsa da China, considerando o índice de Shangai, acumulou alta de 883% em reais. O Brasil, no entanto, representa apenas 2% da capitalização do mercado acionário mundial, comparado com a participação de 12,5% de todos os emergentes. “Por isso, vale buscar oportunidades no mercado internacional que possam trazer a diversificação do risco e adicionar valor à carteira”, afirma Cindy.

O mercado brasileiro ainda é muito pouco internacionalizado. Apesar de autorizados a investir no exterior desde 2007, com a publicação da Instrução 450 pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), hoje apenas 2,8% do patrimônio dos fundos de investimento, que estava em R$ 1,8 trilhão, estão aplicados em ativos fora do Brasil. Os fundos multimercados podem aplicar até 20% em ativos no mercado externo, enquanto o limite para as demais categorias é de 10%. Esse percentual ainda pode chegar a 100% para portfólios destinados a investidores qualificados, com mais de R$ 300 mil em aplicações financeiras, e exigem investimento mínimo de R$ 1 milhão.

Já os fundos de pensão são autorizados desde 2009 a investir até 10% de seu patrimônio no exterior, por meio de fundos de investimento ou de recibos de ações de empresas estrangeiras listados no mercado doméstico (Brazilian Depositary Receipts – BDRs). No entanto, a alocação em ativos estrangeiros ainda está muito abaixo desse limite, representando apenas 0,1% do patrimônio das fundações. Essa parcela ainda é muito pequena comprada com outros países na América Latina, em que a exposição a ativos internacionais chega a 36,8% no Chile, 27,5% no Peru e 13,5% na Colômbia e no México, destaca o estudo da BlackRock.