Real sofre mais do que outras moedas similares

“O real está se depreciando mais do que as outras moedas de países produtores de commodities”, observou Octavio de Barros, diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco, ontem, quando o câmbio bateu em R$ 1,80, e fechou em R$ 1,78. “Se dependesse simplesmente da queda no preço das commodities que o Brasil exporta, o real estaria hoje em R$ 1,67”, disse.

Para o economista, o real deveria se depreciar tanto quanto as moedas de Austrália, Noruega, Chile, Canada, Nova Zelândia e África do Sul.

“O primeiríssimo candidato a explicar [a desvalorização] é a mudança abrupta na política monetária no último Copom [do BC], gerando forte queda dos juros futuros e a leitura de que seguirão caindo por algumas reuniões.”
Além disso, a política econômica lançou mão de instrumentos que estavam “bem fora do radar de quem se habituou com uma convencional administração do tradicional tripé (câmbio flutuante, regime de metas e responsabilidade fiscal).”

“Não só no Brasil, mas em praticamente todo o mundo, a ortodoxia deve ter tirado um período sabático de três anos, pelo menos.” Para ele, “a política econômica está de pernas para o ar em todo o mundo gerando reações defensivas por parte dos agentes econômicos que estão líquidos”. Analistas e investidores estão sem bússola, acrescentou.

As medidas protecionistas deveriam valorizar o real e uma nova onda de expansão monetária nos Estados Unidos e na Europa também deveria jogar na mesma direção de um real forte.

“Mas o que está falando mais alto é a aversão ao risco”, afirmou ele. “Ela é gerada por um cenário europeu ainda imprevisível e incertezas na reação de governos diante de cenários relativamente inéditos”, concluiu. “Essa crise é café com leite perto da de 2008.”

NOVOS SOTAQUES

A DM9DDB vai expandir suas operações para o Rio de Janeiro e Porto Alegre com a abertura das agências DM9Rio e DM9Sul. Segundo Sergio Valente, presidente da DM9, não se trata de escritórios para atender clientes locais. “É um projeto de expansão de marca. São agências 100% estruturadas, com criação autônoma e que vão trabalhar com a metodologia que fez da DM9 o que ela é hoje”, diz Valente.

Agência do Grupo ABC que tem a DDB (grupo Omnicom) como sócia, a DM9 pretende se associar a profissionais locais. “Não vamos comprar agências”, diz. “Temos de beber chimarrão e estar totalmente inseridos.” A DM9Rio nasce com a conta de Americanas.com, Submarino e Shoptime. A DM9Sul atenderá Vulcabras e marcas como Olympikus, Azaleia, Dijean e Opanka. A DM9 é a oitava maior agência do país e fez 22 anos ontem.

Cresce parcela de cheques devolvidos ante compensados

A parcela de cheques devolvidos em relação aos compensados cresce no Brasil. Entre janeiro e agosto, foram devolvidos 1,94% dos cheques compensados, ante 1,83% em igual período do ano passado, de acordo com a Boa Vista, administradora do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). O percentual de agosto deste ano (1,88%) é superior ao mesmo mês do ano passado (1,62). Na comparação com julho, no entanto, apresenta leve queda (1,99%).

As devoluções de pessoas jurídicas cresceram 8,6% no período acumulado em relação ao ano passado. Para as pessoas físicas houve queda de 7,1%.

“Os efeitos recentes da inadimplência trouxeram reflexo ao comportamento dos intermediários financeiros, com maior rigor nas concessões”, afirma Flávio Calife, economista da Boa Vista. “Pode gerar impacto sobre o cenário dos cheques e de outras formas de pagamento”, afirma.

FUTURO

O HSBC prevê uma inflação maior para 2011 e 2012 do que a pesquisa Focus, feita pelo Banco Central com analistas do mercado financeiro. Enquanto o banco privado espera que o IPCA feche 2011 em 6,50%, a pesquisa prevê 6,46%. Para o próximo ano, os números são 5,70% (HSBC) e 5,50% (Focus).

Tanto a pesquisa quanto o HSBC apontam que a taxa Selic terminará o ano em 11%. Para 2012, o banco prevê uma queda de um ponto percentual. O BC, de apenas 0,25. O HSBC também está mais otimista em relação ao PIB. Acredita em crescimento de 4% em 2012. A pesquisa Focus aponta 3,7%.

Ferro… A queda de 22,8% no faturamento acumulado até julho das empresas de material para saneamento já reflete no emprego, segundo a Asfamas (entidade do setor). Na comparação entre julho deste ano e o mesmo mês de 2010, o faturamento nominal teve leve alta.

…fundido A baixa demanda de obras públicas obrigou o segmento de canalização de ferro fundido, que tem seu principal mercado no setor de saneamento, a reduzir seu efetivo em 10%, diz Carlos Rosito, vice-presidente da entidade.

Cobrança… O uso de correspondências para enviar cobranças a clientes está em queda. Hoje, as empresas do setor mandam 6 milhões de mensagens por celular por mês, enquanto o número de correspondências é de 1,5 milhão.

…rápida Na mesma época no ano passado, de acordo com o Igeoc, entidade que reúne o segmento no país, eram 4 milhões de correspondências por mês e 3 milhões de mensagens por celular.

CONECTADO

A Vivo manteve a liderança em número de usuários de modem para acesso sem fio à internet em julho passado, de acordo com dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

A companhia tinha 882,1 mil clientes, enquanto a Tim, segunda colocada, apresentava de 877,4 mil usuários. O estudo também inclui terminais para pagamentos eletrônicos via cartão.

Claro e Oi aparecem nas terceira e quarta posições, com 372,7 mil e 106,8 mil clientes, respectivamente. Entre as quatro principais empresas do segmento, a Tim foi a que atraiu mais clientes em julho, 51,1 mil. A Vivo, por sua vez, teve aumento de 35,6 mil clientes.