Redução da Selic diversifica projeções dos especialistas

A redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) provocou uma diversificação nas projeções do mercado. Conforme apontou o relatório Focus, divulgado ontem pelo Banco Central (BC), a mediana das previsões para a Selic neste ano passou de 12,50% para 12,38% neste ano, o que mostra oscilação nas avaliações.

Da mesma forma, os analistas consultados pelo BC subiram de 6,31% para 6,38% a estimativa para o fechamento da inflação em 2011. O centro da meta estabelecido para o IPCA ao final deste ano é de 4,5%, cuja banda pode variar de dois pontos percentuais para baixo ou para cima (de 2,5% a 6,5%).

O professor da Ibmec, Felipe Lacerda, comenta que o mercado perdeu de certa forma a confiança nas ações do governo e do BC para combater a inflação, e estimular, assim, um crescimento econômico sustentável. “O cenário atual leva a crer que a inflação vai superar o teto da meta neste ano, ao mesmo tempo em que a economia vai ter uma expansão pequena comparada a de 2010”, avalia o professor, ao acrescentar que espera que o PIB avance 3,5% no acumulado de 2011 e que o IPCA termine em 8%.

“A taxa Selic foi inesperadamente reduzida para 12% e o Brasil tornou-se o primeiro entre os emergentes a reagir de forma relevante à crise global. O BC aparentemente prefere um caminho diferente do trilhado em 2008, quando esperou por sinais concretos de impacto da crise antes de alterar a taxa. Agora esperamos que o BC dê seguimento ao processo com mais dois cortes de 0,50 ponto percentual, levando a Selic para 11% no fim do ano. Se a inflação de fato recuar, pode haver redução adicional de 1 ponto percentual em 2012”, analisam os economistas do Itaú Unibanco.

Para 2012, a perspectiva para a taxa de juros também foi revista – ao passar de 12,38% para 11,88% ao ano – e também mostra uma diversificação, assim como para o encerramento da inflação – de 5,20% para 5,32%.

De acordo com os economistas do Itaú, diversos indicadores confirmam que as pressões persistem. “O IPCA-15 avançou 0,27% em agosto e acumula alta em 12 meses de 7,1%, acima do teto da meta, de 6,5%. O núcleo da inflação agora acumula alta de 6,9% em relação ao ano anterior. A parcela de preços em alta chega a 63%. A inflação de serviços atingiu 8,5%. Os salários tiveram aumento mensal de 1,4% em julho, em termos reais. Mudanças tributárias devem elevar o preço de cigarros em dezembro”, exemplificam. “Em suma, o mercado de trabalho ainda forte e a aceleração sazonal dos preços dos alimentos devem manter o núcleo da inflação elevado – e a inflação disseminada – nos próximos meses”, concluem.

Para o PIB, o mercado aguarda, segundo o relatório Focus, que ocorra um crescimento de 3,67% neste ano, queda ante a projeção observada na semana passada que indicava expansão de 3,79% ao final de 2011. Com relação a 2012, a expectativa também foi corrigida para baixo, ao passar de 3,90% para 3,84%.

Demais indicadores

A maioria dos indicadores foi revista pelos analistas entrevistados pela autoridade monetária, conforme apontou o relatório Focus de ontem.

A previsão para a relação dívida líquida do setor público com o PIB a fechar neste ano subiu de 39,15% para 39,20%. Já a expectativa para 2012 permanece a 38% do PIB há 11 semanas.

O mercado reduziu de 2,96% para 2,63% a perspectiva de crescimento da produção industrial deste ano e manteve em 4,30% a projeção de alta para 2012.

A previsão para a conta corrente de 2011 também foi revista, ao passar de déficit de US$ 57,98 bilhões para saldo negativo de US$ 58,25 bilhões. Da mesma forma, o mercado aguarda um resultado deficitário de US$ 68,51 bilhões a terminar no ano que vem, ante saldo negativo de US$ 68,63 bilhões registrados do documento anterior do BC.

Para a balança comercial deste ano, os analistas subiram a estimativa de US$ 22,90 bilhões para US$ 23 bilhões. Em 2012, o saldo esperado passou de US$ 12,10 bilhões para US$ 11,60 bilhões.

As previsões para o câmbio (R$ 1,60 por dólar), do montante de ingresso de investimentos estrangeiro direto (US$ 55 bilhões) e dos preços administrativos (5,35%), deste ano, foram mantidas comparadas ao documento da semana passada. Assim como ocorreu nas análises para 2012: câmbio a R$ 1,65 por dólar, entradas US$ 50 bilhões de investimentos estrangeiros diretos e fechamento de 4,5% dos preços administrados no ano que vem, segundo o Focus de ontem.