Risco de crise se agravar é envolver os Brics, diz Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quinta-feira (22), após reunião com os ministros da Rússia, Índia, China e Àfrica do Sul, que o risco da atual crise é que, se ela vier a se agravar, pode envolver esses países, os chamados Brics.

“O risco dessa crise se agravar é que vai envolver os Brics e os emergentes mais avançados”, disse o ministro em Washington, nos Estados Unidos, durante o encontro do FMI e do Banco Mundial.

“Corremos o risco de que o comércio mundial possa ser afetado, poderá haver uma redução dos preços das commodities, que vai enfraquecer o crescimento dos nossos países.

De acordo com ele, os ministros reunidos concordaram que a situação internacional se agravou e “inspira cuidados”. “Nós estamos vivendo um agravamento da crise nesses últimos meses, e temos que impedir que a crise de um salto qualitativo, que atinja um nível mais grave”, disse, apontando que a crise atual, cujo epicentro é a União Europeia, pode acabar se transformando “numa nova crise financeira”.

Mantega afirmou que os países europeus estão demorando a encontrar soluções, e que deveriam “ser rápidos na decisão, ousados e têm que ser cooperativos”. “Acreditamos que isso [o agravamento da crise] possa ser evitado, desde que haja ação rápida dos países que estão com problemas. A cada dia que passa a crise fica mais ampla e mais custosa para ser resolvida”.

O ministro da Fazenda não anunciou nenhuma medida concreta dos Brics em relação à crise, mas afirmou que o grupo concordou em recomendar o fortalecimento do Fundo Monetário Internacional (FMI). “O FMI tem que ter mais condições não só de surveillance (fiscalização), mais condições financeiras de enfrentar eventualmente um problema maior”.

“Devemos também aumentar a integração entre os brics, que hoje têm uma dinâmica diferente dos países avançados, somos os países com crescimento maior, cujos mercados estão em expansão, portanto temos condições de uma solidariedade maior entre nossos países. Decidimos aumentar a atividade comercial, financeira, e procurar sinergias entre os Brics, que hoje estão liderando o crescimento da economia mundial, disse.