Turbulência aquece a procura por fundos de capital protegido

Diante da indefinição que tomou conta dos mercados neste ano, a promessa de investir sem correr o risco de perder o principal atraiu muita gente. Só para se ter ideia, em 2011, foram lançados mais de 30 fundos de capital garantido.

Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a categoria acumulava patrimônio líquido de R$ 5,620 bilhões até o dia 11. E a previsão é de que o ano que vem seja recheado de lançamentos, já que o cenário deve continuar turbulento e bastante volátil, avalia Alcindo Costa, diretor de distribuição de fundos da HSBC Global Asset Management.

Para ele, a trajetória de queda da taxa de juros fará com que os investidores – tanto as pessoas físicas quanto as fundações – se voltem para aplicações com um pouco mais de risco. E os fundos de capital protegido são o primeiro passo para que o investidor comece a assumir mais riscos, complementa Camilo Syllos, superintendente-executivo de distribuição da HSBC Global Asset Management.

O mercado de fundos de capital protegido, segundo ele, ainda é bastante concentrado, tendo hoje cerca de dez bancos liderando a maioria das ofertas. As carteiras que buscam capturar a variação no preço das commodities devem ser um dos focos do HSBC em fundos de capital protegido. Tanto que a gestora do banco acabou de fechar para captação a segunda versão do Smart Ouro, um multimercado de capital protegido ligado à variação do metal em Londres.

O cenário internacional ainda se mostra turbulento e o ouro, por exemplo, ainda teria grande potencial de valorização, já que os investidores devem continuar fugindo de ativos mais arriscados, avalia Syllos. Contribui para essa perspectiva a demanda de alguns governos como China e Índia pelo metal para suas reservas. O banco estuda também abrir para captação a segunda versão do Smart Commodities.

Lançada em maio do ano passado, a primeira versão, que venceu no fim de outubro, rendeu de 23% no período. A carteira buscava ganhar a partir da variação nos preços de uma cesta de matérias-primas metálicas, agropecuárias e de energia. “Naquele momento, percebemos que o cenário era de elevação no preço das commodities, por conta do pelo forte crescimento da China e outros países emergentes”, explica Syllos.

Embora os fundos atrelados à variação do ouro ou de commodities sejam voltados para os investidores qualificados – aqueles com pelo menos R$ 300 mil em aplicações -, Syllos chama a atenção para a popularização das carteiras de capital protegido. “A procura maior faz com que o investidor hoje tenha à disposição fundos com aplicação mínima menores, com tíquete mínimo de R$ 5 mil em alguns casos.” A HSBC Global Asset Management tem hoje dois fundos de capital protegido em funcionamento, que somam patrimônio de R$ 161 milhões e 422 cotistas.

O mercado possui diversos tipos de estruturas de fundo de capital protegido, algumas mais complexas combinando muitas vezes diversos cenários de alta e baixa. “Preferimos, no entanto, montar carteiras com cenários mais simples, sem barreiras de alta durante a vigência do fundo e, sim, só no vencimento”, afirma Costa.

Algo que o investidor precisa ficar atento ao analisar as regras dos fundos é a restrição de liquidez das carteiras, que normalmente é de um ano e meio a dois anos, ressalta Costa. Além disso, deve prestar atenção à forma como a rentabilidade é apurada, se diariamente ou somente no fim do período de investimento. Mas nem essa estratégia escapou imune à forte volatilidade dos mercados.

Conforme mostrou o Valor em setembro, três fundos da BB DTVM atrelados ao Ibovespa atingiram a barreira de baixa neste ano. O mesmo ocorreu com duas carteiras do Itaú Unibanco. Três carteiras do Santander com vencimento neste ano também atingiram a barreira de baixa da bolsa. Outro caso que chamou a atenção foi de um fundo atrelado à variação do dólar do Credit Suisse Hedging-Griffo.

Lançado em setembro, a valorização acentuada da moeda americana naquele mês fez com que o multimercado CSHG Dólar Double Range IV Capital Protegido batesse a barreira de alta estabelecida logo nos primeiros dias, garantindo aos investidores apenas o valor investido a ser resgatado em 90 dias. Mesmo sendo fundos de capital protegido, essa proteção do principal refere-se aos riscos de mercado. Em alguns casos, no entanto, não há a garantia de que o investidor não possa sacar menos recursos do que aplicou. Isso pode acontecer em função da tributação do investimento ou dos custos do fundo.