Zurich entra no nicho de previdência corporativa

A Zurich fechou seu primeiro contrato de previdência corporativa. A seguradora de origem suíça atuava, até então, timidamente com previdência aberta individual desde que adquiriu a Minas Brasil e, agora, está expandindo seus negócios em previdência e seguro de vida.

A companhia estava terminando de adequar seus sistemas operacionais para começar a divulgar comercialmente o produto quando surgiu a oportunidade de fechar o primeiro negócio, conta Richard Vinhosa, presidente da Zurich Vida e Previdência, que não revela o nome do cliente.

O investimento da Zurich no segmento começou no ano passado com a contratação de pessoal dedicado à área: a equipe passou de 20 para 177 profissionais. “Começamos praticamente do zero”, diz Vinhosa, que veio para a seguradora há um ano para assumir a divisão, na época recém-criada.

Conhecida por sua atuação especialista em seguros patrimoniais corporativos, a investida da Zurich no seguros de pessoas – que é mais rentável que os seguros patrimoniais – faz parte da estratégia de diversificar seus ramos de atuação. O páreo, porém, será duro. O segmento, que inclui vida, acidentes pessoais, prestamista, educacional, perda de renda e previdência aberta, é amplamente dominado pelas seguradoras de bancos de varejo, com Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander nas primeiras posições, seguido pela MetLife, especializada em seguros de vida.

No primeiro semestre, esses segmentos faturaram juntos R$ 14,766 bilhões, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Com uma base ainda pequena, a Zurich obteve R$ 103,7 milhões em receitas nessas áreas, um crescimento de 47% em relação ao mesmo período de 2010, já mostrando os resultados do investimento. O segmento responde por 22% da receita da operação da Zurich no Brasil e a meta é chegar a uma fatia de 40%.

O aquecimento da economia e do mercado de trabalho tem impulsionado a demanda por seguros e previdência, principalmente pelas empresas, que têm corrido em busca de benefícios para reter os funcionários em seus quadros. Para se ter uma ideia, os planos de previdência empresariais arrecadaram R$ 3,6 bilhões até julho, alta de 22,29% em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Fenaprevi.

Para brigar com os grandões, a Zurich aposta em novos produtos. A seguradora promete, no médio prazo, lançar um pacote que combine produtos de vida e de previdência. Popular nos Estados Unidos, esse tipo de fusão encontra entraves na legislação brasileira, que não permite um produto híbrido. A Zurich porém, quer contornar esse problema lançando dois produtos separados, um de vida e outro de previdência, mas que tenham um “link”.

“Seria um produto em que o investimento variaria conforme a fase da vida da pessoa. Quando se é jovem, uma maior parcela da contribuição vai para o componente vida do produto. Conforme a idade avança, a proporção muda”, diz Vinhosa. A Metlife também prepara um produto semelhante.

Além da criação de produtos, a empresa aposta em mudanças nos canais de distribuição para crescer. A seguradora tem trabalhado com três pilares: bancos, corretores e afinidades – empresas parceiras que dão acesso ao banco de dados de clientes – criando estratégias específicas para cada um.

No campo dos bancos, a Zurich firmou, no começo do ano, uma parceria com o Santander, operação avaliada em US$ 3,3 bilhões e válida para toda América Latina. A Zurich ganhou exclusividade na oferta de seguros no balcão do banco, exceto para a apólice de veículos. A seguradora também mantém parcerias com instituições de menor porte, como Mercantil, BicBanco, Pine e Ficsa. Fora do universo financeiro, a Zurich tem acordos com redes de varejo, entre elas a Riachuelo. Para os corretores, o plano é expandir a base de 11 mil que a empresa dispõe atualmente.